sábado, novembro 05, 2005

A Habilidade Específica do Político


A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres será expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do «ruído e da fúria, que nada significam». Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe.


Bertrand Russell, in 'Ensaios Cépticos: A Necessidade do Ceptcismo Político'

(Retirado do site www.citador.pt)

4 Comments:

At 11:24, Blogger A Voz said...

será k o dito "movimento de paixão interesseira" pode ser associado,também, a diamantes e marfim?!?!?!?é k tipo...Dejá vu...;)

 
At 16:41, Anonymous Anónimo said...

A diferença entre a moral e a política está no facto de que, para a moral, o homem é um fim, enquanto que para a política é um meio. A moral, portanto, nunca pode ser política, e a política que for moral deixa de ser política, logo, em vez de uma ciência do bom governo, limita-se a ser uma arte de conquista e conservação do poder...daí já dizer o Bismarkito q esta "porca" ser a doutrina do possível...mas e quanto ao desejável?!?!?

 
At 17:03, Blogger Alice said...

epá...muito bem que pode ser um bocadiiiiinho verdade, mas não é demasiado "céptico" (apesar do título da obra, parece-me exageradito). Acho que, em vez de nos conformarmos com as situações, devemos tentar que elas mudem, fazer por isso, acreditar que é possível... mas pronto, isto é idealismo puro, utopias de uma "esquerdalha que vê a vida a cor-de rosa" (sem referências ao PS...cor-de-rosa no sentido da positividade, não do ponto de vista político, porque o PS não é propriament da minha esquerda...).
Não é, Bandeira?

 
At 03:46, Blogger Pedro_ARQ said...

1º: Qto aos diamantes e o marfim, pronto....ah e tal...cada um como cada qual..o do Helmut khöll eram as armas....

2º : Sad but true. No dia em que surgir um político que pense no bem da sua nação ou na de quem serve (supostamente), o seu futuro será mais efémero que um bolo de chocolate nas garras do Garfield....

3º : É a verdade....pura e dura..céptica?sim.demais?não. Podemos idealizar um futuro de mudança para o "melhor" mas a realidade não sugere essa metamorfose....Esta arte da política já se pratica há tanto tempo, que nada que nela se encerre padecerá de mutação. Não digo por isto que o mundo esteja condenado ao fracasso, apenas que a esfera Política não é a pedra basilar com que nos possamos realmente apoiar.

 

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